Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Wonder woman

"It´s impossible until you get it"

Wonder woman

"It´s impossible until you get it"

Sex | 23.02.18

Hoje lembrei-me da Tia pau

Wonder Woman

Tia pau como o meu irmão a baptizou. Tinha cerca de ano e meio e eu oito anos. Mal sabia falar e ainda não andava, porque era tão gordinho com refegos como o boneco Michelin. Acho que a minha filha saiu ao tio. 

 

A Tia pau chamava-se Cidalina e foi Cidalina até o André começar a falar, a partir daí toda a família e amigos a conhecia por tia pau. 

Ele chamava-a de tia pau porque ela era velhota e usava bengala e pau é mais fácil que Cidalina.

 

Lembro-me tanto de ela andar com ele ao colo num braço e com o outro apoiava-se na bengala. E nunca se queixou do peso de um bebê que era demasiado pesado, porque o raio do rapaz era maciço. Ainda hoje com vinte anos é um lingrinhas quase com dois metros mas super pesado. Mete o braço por cima dos ombros da irmã mais velha e fico protegida do mundo lá fora. Já é tempo, protegi-o a vida toda. Sempre que fizesse asneiras arcava com as culpas por ele. Hoje é a vez dele, o meu protector.

 

Já estava a divagar. Sobre a tia pau.

Ela escolhia os melhores ingredientes e cozinhava em lume brando durante horas. A lasanha dela era a melhor do mundo e tenho muitas saudades dela. Quando ficou acamada passava muitos serões ao lado dela a ler ou a ver TV, não queria que se senti-se sozinha. Foi ela que esteve lá quando eu precisei de saber o nome do velho amigo da familia que me apanhou sozinha e começou a tocar nas minhas partes intimas.

Quando morreu, tinha eu 9 anos, abriu um fosso em mim porque ela era o mais perto que tinha de uma avó. A minha avó materna morreu tinha eu 3 anos, a avó paterna vivia a 500km e acabou por morrer tinha eu dez anos. 

 

Percebi na tia pau que se cozinharmos com amor sai sempre bem.

 

Hoje lembrei-me dela porque fiz empadas. Eu cresci a fazer salgados para vender para fora, acordava às seis da manhã dos sábados para ajudar a minha mãe a tirar os borbotos (aquelas bolinhas de farinha) da massa acabada de fazer, foi assim que ganhei resistência ao quente ( um bom chef nunca queima os dedos) e deixava-me dar a manivela na máquina de estender a massa. Mas não deixava fazer as partes mais divertidas, brincar com a massa. E a tia pau lá surripava um bocado de massa para eu brincar, era até a massa ficar preta de tanto cair ao chão e voltar a ser amassada. E no fim a muito custo lá mandava a massa fora quando a minha mãe, exigente que nem um general, me mandava aquele olhar que me fazia encolher.

 

Hoje lembrei-me da tia pau, porque sobrou massa e ela não estava lá para a dar a minha filha. Que pena tenho eu que ela não tenha conhecido a pequena M. 

 

Empadas de cogumelos, espinafres e batata doce

IMG-20180223-WA0006.jpeg

 Espero que ela seja uma estrela guia e me ilumine o caminho para descobrir quem sou. Se sou cozinheira hoje é em parte devido a ela.

 

Sejam felizes